quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Eu quero você! E quero da forma mais caótica possível. Quero-te por inteiro, sem receios e sem fugas, pelo menos dessa vez. Você pode ir embora depois, se quiser, mas que sejas pleno e dedicado enquanto estiver em meu espaço.
Quero você da cabeça aos pés, mas pode guardar o seu coração, eu não preciso dele. Entenda que não se trata de sentimento, e sim, de finalização. Eu não preciso do seu telefone na minha agenda, basta você ter o meu e saber o caminho da minha casa. Não preciso que ponhas dinheiro em minha conta e nem me leves para jantar, preciso apenas da chave do seu apartamento e permissões para, sempre que houver vontade, eu entrar.
Quero uma viagem marcada e ocupações por uma semana inteira. Quero cama e banheira, chão e cozinha, mesa e cadeira. Quero convites inusitados, banhos demorados e olhares disfarçados, afinal, ninguém precisa saber do nosso caso. Podemos ser segredo, medo, parceiros. Que tal?
Convença-me de que tens algo melhor para fazer e eu mudarei minhas opções. Mas eu sei, seu corpo me chama para uma maratona em uma cama de solteiro e o meu concorda. O dia tem pressa em terminar e há assuntos para resolvermos. Aceite o que o desejo pede porque o tempo não vai nos esperar.
(Isabel Ribeiro)
sábado, 24 de novembro de 2012
Eu não sei o que é amor, entende? Não é nada pessoal. Não é
que eu não goste de sua companhia e nem do seu macarrão ao molho, o fato é que
a ideia de uma relação afetiva me apavora.
Cresci em um lar em que os sorrisos nos rostos só existiam nas fotografias, aqueles raros momentos em que toda a família se reunia para tentar disfarçar o caos que vivíamos diariamente. Eu confesso que gostava, era a única oportunidade em que via meus pais se abraçando e vivendo como um casal. Durava pouco tempo, mas isso sempre renovava a minha esperança.
Tenho medo e você não entende isso. Se eu não atendo sua ligação, se eu não aceito seu convite para sair, se eu não durmo na sua casa e se eu não conheço sua família é por puro medo. Eu não sei como retribuir esse afeto, eu não tenho alguém para te apresentar que te conte minhas histórias engraçadas e diga a você que sou uma boa menina. Eu não tenho nem um coração para te oferecer. Francamente, você ficará melhor sem mim.
Você tem uma vida pela frente. Suas viagens, seus amigos, seu curso de arquitetura e todo o seu sonho de formar uma família feliz. Eu tenho meu bar, meu violão, minha voz, e não acredito em felicidade. Tudo o que posso te oferecer é uma noite e nada mais. Amanhã não estarei mais aqui e espero que você não me procure. Aprendi que é mais fácil assim, menos doloroso. E tudo aquilo que não me causa dor, eu valorizo.
(Isabel Ribeiro)
Cresci em um lar em que os sorrisos nos rostos só existiam nas fotografias, aqueles raros momentos em que toda a família se reunia para tentar disfarçar o caos que vivíamos diariamente. Eu confesso que gostava, era a única oportunidade em que via meus pais se abraçando e vivendo como um casal. Durava pouco tempo, mas isso sempre renovava a minha esperança.
Tenho medo e você não entende isso. Se eu não atendo sua ligação, se eu não aceito seu convite para sair, se eu não durmo na sua casa e se eu não conheço sua família é por puro medo. Eu não sei como retribuir esse afeto, eu não tenho alguém para te apresentar que te conte minhas histórias engraçadas e diga a você que sou uma boa menina. Eu não tenho nem um coração para te oferecer. Francamente, você ficará melhor sem mim.
Você tem uma vida pela frente. Suas viagens, seus amigos, seu curso de arquitetura e todo o seu sonho de formar uma família feliz. Eu tenho meu bar, meu violão, minha voz, e não acredito em felicidade. Tudo o que posso te oferecer é uma noite e nada mais. Amanhã não estarei mais aqui e espero que você não me procure. Aprendi que é mais fácil assim, menos doloroso. E tudo aquilo que não me causa dor, eu valorizo.
(Isabel Ribeiro)
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Não lembro, exatamente, quando ela se tornou a mulher mais
linda do mundo para mim. Talvez tenha sido no dia em que ficamos presos no
elevador do nosso prédio e ela me acalmou como se eu fosse um bebê enquanto eu
tentava respirar. Ou talvez tenha sido no dia em que o pai dela morreu e ela, desesperadamente,
correu para o meu apartamento e ficamos assistindo filmes, comendo pipoca por 48
horas e ainda dormimos de conchinha. Mas, tenho quase certeza, que foi no dia
em que ela me contou que estava namorando pela primeira vez, que eu percebi que
ela era a mulher mais linda do mundo.
Tudo bem que, nem em sonho, eu sou o cara certo para ela, mas e daí? Entre um encontro e outro, ela sempre procurará como requisito em um novo namorado o que só encontrou no melhor amigo. Como um bom individualista, eu nunca tive planos de formar uma família com uma esposa, dois filhos e um cachorro poodle que comerá os meus sapatos, mas isso começou a fazer sentido desde que percebi que, durante toda a minha vida, ela esteve envolvida em meus projetos. Nunca a vi exclusivamente como uma irmã, eu sempre percebi que ela tinha jeito para namorada. Talvez não minha, mas dos outros. Embora vê-la agora como sendo dos “outros” é uma ideia absurda e desesperadora para mim.
Não sei como explicar a ela que de um dia pro outro eu percebi que estou apaixonado e passei a noite inteira chorando só em imaginar o casamento dela com outro cara. Isso soaria como uma piada e só pioraria a minha situação. Eu também não posso pedir que ela namore comigo porque não tenho nada a oferecer além de um chocolate quente, um apartamento apertado e um bilhete único.
As pessoas sempre disseram que um dia a gente iria se casar. É incrível como os adultos possuem essa capacidade para ver o amor nascer entre duas crianças e saber que ele só se relevará 15 anos depois. Seria mais fácil se a gente não tivesse crescido junto. Eu poderia ser esse cara que ela está conhecendo agora. Eu a chamaria pra sair, ela adoraria meu jeito descolado, eu me apaixonaria pelo sorriso dela e viveríamos felizes para sempre. Por que ser tão complicado?
Meu telefone toca, é uma mensagem dela dizendo: “Estou em nosso restaurante favorito! Vem pra cá, já fiz o nosso pedido”.
Talvez esse seja o nosso último jantar como amigos, talvez seja o nosso último jantar como conhecidos, mas será o primeiro jantar em que a tratarei e a verei como a mulher mais linda do mundo. A minha mulher mais linda do mundo.
Tudo bem que, nem em sonho, eu sou o cara certo para ela, mas e daí? Entre um encontro e outro, ela sempre procurará como requisito em um novo namorado o que só encontrou no melhor amigo. Como um bom individualista, eu nunca tive planos de formar uma família com uma esposa, dois filhos e um cachorro poodle que comerá os meus sapatos, mas isso começou a fazer sentido desde que percebi que, durante toda a minha vida, ela esteve envolvida em meus projetos. Nunca a vi exclusivamente como uma irmã, eu sempre percebi que ela tinha jeito para namorada. Talvez não minha, mas dos outros. Embora vê-la agora como sendo dos “outros” é uma ideia absurda e desesperadora para mim.
Não sei como explicar a ela que de um dia pro outro eu percebi que estou apaixonado e passei a noite inteira chorando só em imaginar o casamento dela com outro cara. Isso soaria como uma piada e só pioraria a minha situação. Eu também não posso pedir que ela namore comigo porque não tenho nada a oferecer além de um chocolate quente, um apartamento apertado e um bilhete único.
As pessoas sempre disseram que um dia a gente iria se casar. É incrível como os adultos possuem essa capacidade para ver o amor nascer entre duas crianças e saber que ele só se relevará 15 anos depois. Seria mais fácil se a gente não tivesse crescido junto. Eu poderia ser esse cara que ela está conhecendo agora. Eu a chamaria pra sair, ela adoraria meu jeito descolado, eu me apaixonaria pelo sorriso dela e viveríamos felizes para sempre. Por que ser tão complicado?
Meu telefone toca, é uma mensagem dela dizendo: “Estou em nosso restaurante favorito! Vem pra cá, já fiz o nosso pedido”.
Talvez esse seja o nosso último jantar como amigos, talvez seja o nosso último jantar como conhecidos, mas será o primeiro jantar em que a tratarei e a verei como a mulher mais linda do mundo. A minha mulher mais linda do mundo.
(Isabel Ribeiro)
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Difícil não perceber a catástrofe que ficou por aqui desde que você resolveu seguir sua trajetória hollywoodiana cheia de glamour e autodestruição. Eu fui um idiota em não tentar destruir seus sonhos ligando pra sua escola de Arte e dizendo que você tinha morrido em um trágico acidente enquanto assistia você amarrada em minha cama sem conseguir se mover, chorando e provavelmente pensando no quanto eu era louco. Parece doentio, mas doentio mesmo é saber que por pura covardia, eu abri mão de você. Como se não bastasse o meu instinto de auto-desprezo, na minha mente ainda martela a lembrança de você chegando silenciosamente em minha casa enquanto eu cozinhava para nós dois, assustadoramente ansioso por notícias boas, notícias que nos dariam um futuro melhor, notícias que mudariam a nossa história para sempre. E realmente mudou. Não quero entrar em muitos detalhes sobre os gritos, choros, frases de Tim Maia e um por quê não respondido, mas preciso falar sobre como eu fiquei anestesiado quando você me perguntou "Quer ir comigo?". Como eu poderia largar tudo e ir pra Portugal com você? Eu também tinha uma vida, sabia? Tinha sonhos - embora a maioria fosse com você -.
Abri mão de você, abri mão de nós, estou um lixo, mas sei que você estará bem. Daqui a alguns anos, você conhecerá um português que não conta piadas tão bem quanto eu, mas que te dará tulipas todas as manhãs e levará um café amargo bem quentinho do jeito que você gosta. Você pensará em mim, pensará por onde estarei fotografando, sentirá saudades de me contar sobre sua nova peça e tentará me contactar. Provavelmente eu estarei em Bagdá, fotografando a guerra por lá, você não conseguirá falar comigo, mas eu estarei pensando em você.
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Bom, devo confessar que isso não era bem o que eu esperava.
É claro que eu nunca achei que ele fosse fazer uma grande recepção com flores,
smoking e serenata na frente de toda a galera, mas imaginei que fosse me olhar,
ao menos, umas 3 vezes durante essa festa. A primeira para conferir se alguma
coisa havia mudado nesses meses que não temos nos visto, a segunda para reparar
como meu batom novo combinou com meu bronzeado e a terceira para constatar a
sua burrice ao me trocar por seu clube do bolinha, festas, cervejas e vídeo
game.
Ele não me olha. Eu já deveria esperar. Seus amigos me
cercam. Aê, ele me olhou. Virou a cara. Não olhou mais. Eu bebo. Ele bebe. Nós
bebemos. Ele se aproxima. Eu finjo que não o vejo. Ele mexe no meu cabelo e dá um sorriso do tipo
“Só pra não dizer que não falei com você!”. Eu o seguro e digo “Adorei a blusa
nova!” e ele responde: “Como sabe que é nova?”.
Eu gostaria de poder dizer que tenho reparado as roupas que ele tem
usado nas fotos do facebook, mas só digo “Sei lá, tem cara de nova”. Ele ri, eu
retribuo. Ele enche meu copo e pergunta como anda a vida. Nunca vi um diálogo
com um estilo tão “Missão Impossível” como esse, o mais triste é que teve um
tempo que era tão mais fácil. Ele me conta de seus novos projetos para suas
trilhas pelo Rio de Janeiro e eu me queixo de como gostaria de ter uma vida
livre como a dele. O seu sobrenome deveria ser Liberdade e eu odeio isso.
Os clichês retornam, no repertório aquela música conhecida e apenas a certeza de que realmente é hora de seguir. Não quero que todos os encontros de amigos sejam uma equação matemática de “eu + ele = o que acontecerá se...?“ Reencontro é isso, encerrar as possibilidades, perceber que as coisas não mudam e que toda a distância só serve para mostrar o quanto você é capaz de viver bem sem alguém.
Os clichês retornam, no repertório aquela música conhecida e apenas a certeza de que realmente é hora de seguir. Não quero que todos os encontros de amigos sejam uma equação matemática de “eu + ele = o que acontecerá se...?“ Reencontro é isso, encerrar as possibilidades, perceber que as coisas não mudam e que toda a distância só serve para mostrar o quanto você é capaz de viver bem sem alguém.
(Isabel Ribeiro)
Limpei os rastros que deixamos pelo chão, desinfetei tudo que houvesse as marcas de suas mãos. Permiti que houvesse espaço onde tudo estava sufocado de dor e libertei tudo o que um dia já foi amor. Sinto-me pequena nessa imensidão de liberdade. As palavras feriram, mas não passaram de vaidade. Loucuras existem, mas não expressam gratidão, as cicatrizes que ficaram são passíveis de ilusão.
(Isabel Ribeiro)
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Como se não bastasse apenas o desprezo, agora você me odeia.
Não sei se isso é bom ou ruim, acho que depende do nosso ponto de vista. Só o
desprezo não bastaria para eu ir embora, porém, o ódio já está conseguindo me
convencer. Eu nunca gostei do seu jeito prepotente e nervosinho ao lidar com
coisas bobas, mas seus pedidos de desculpas eram bem satisfatórios e isso me
fazia esquecer o quanto era desagradável passar muito tempo ao seu lado.
O mais irônico de tudo isso é que ao ver tanto ódio em seus
olhos, também consigo ver uma ponta de preocupação saltando em suas veias,
provavelmente está se questionando se está fazendo a coisa certa ao abandonar
todos os nossos projetos pela metade e caminhar com destino a um precipício
onde só encontrará arrependimento. E eu estou em silêncio, apenas cravando suas
facas de crueldade em meu peito, pensando onde foi que esqueci minha lucidez
quando resolvi acreditar que a gente poderia dar certo.
Preciso reconhecer que você tem razão. Nunca rolou paixão
entre nós. Talvez por isso eu esteja deixando você se afundar tão facilmente,
sem piedade e sem a mínima vontade de pedir pra você ficar. Você deveria entrar
para o Guines Book por conseguir convencer tão rapidamente uma pessoa de que
ela não tem nada de bom a oferecer. Agora você poderá bater suas asas,
beija-flor. Não estarei te impedindo e sendo aquela velha forma de tropeço que
tanto você gosta de falar. Só peço que nunca se esqueça de que um dia a sorte
esteve ao seu lado e não foi culpa de Deus, Alá ou Destino, você não aproveitar.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Você sabe que, se eu partir agora, eu não volto, não é? Não é pressão, só quero que você tenha certeza do que está fazendo. Parece uma idéia absurda, mas você sabe, que bem lá no fundo, nós fomos feitos para dar certo. Já não tenho nada que me prenda aqui além de toda a minha ideologia de que poderíamos ser um casal perfeito repletos de filmes em um sábado a noite e uma sessão de massagens nos pés. Eu realmente achei que poderíamos dar certo, sabe? Todo aquele papo de músicas em comum, filmes em comum, planos para viagens e até a concordância quanto ao número de filhos que teríamos e o sexo de cada um, realmente me fizeram acreditar em uma casa de campo, dois cachorros, eu e você. Sei que não é sua culpa eu ter apostado tanto em nós, mas por que você cisma em ser o perfeito cara intocável? Você não sabe que pelos caminhos que andei eu só buscava alguém que fizesse tanto sentido, para mim, quanto você? Talvez você realmente não saiba, já que nunca se importou com a minha busca pela felicidade e toda a bagagem que carrego. Eu sei que o passado não importa, mas se você soubesse só um pouquinho do que trago no peito, você confiaria mais em mim.
Eu queria te entender. Talvez se eu te entendesse, eu poderia encontrar uma solução para o nosso caso descasado. A gente poderia ajudar um ao outro e explicar porque entre uma conversa e outra, ainda vemos saudades. Nós precisamos resolver isso já que a tendência é só piorar, ou você acha mesmo que esse lance de se afastar e deixar que o vento decida nosso destino realmente vai dar certo? Há 1 mês atrás eu poderia dizer que te conhecia, mas hoje eu já não sei mais. Não sei como está seu corte de cabelo, nem se já terminou de assistir sua série de TV favorita, não sei como sua mãe está e também não sei se você tem pensado em mim. Os dias têm sido difíceis sem notícias suas, mas tenho me acostumado. É repugnante essa idéia de me acostumar a não ter você. Parece até piada, já que nos últimos meses, você foi a minha droga favorita.
Eu te fiz uma proposta: Vai ou fica. Você se foi, eu fiquei. E agora terei de viver como se você fosse apenas uma formiguinha irrelevante, que incomoda, mas a gente dá um tapa e logo ela fica irreconhecível no meio das outras formiguinhas. Você não se importa de ser uma formiguinha, não é? Sobre poemas, letras e músicas que tanto gostamos, espero que consiga ir ao show da sua banda favorita e entregue a letra que compomos juntos. Alguma coisa tem que prestar disso tudo.
Lembre-se: You got me wrapped around your finger... ♫
Um Cranberries para te acalmar. Adeus!
terça-feira, 26 de junho de 2012
Quer saber? Não venha mais. Sério! Quando passar pela porta sinta-se livre. Perceba quantos erros você está deixando para trás, veja como você se sentirá melhor ao libertar um coração ferido. Não me volte com flores ou com palavras bonitas, faz tempo que essas coisas deixaram de me encantar e você nem percebeu. Não me ligue mais no meio da noite dizendo que tem saudades, já percebemos que fizemos as nossas escolhas, por mais árduas que elas sejam. Vamos abandonar essas correntes e aproveitar a ventania lá fora. Deixe meu vestido voar, deixe meu cabelo aumentar minha beleza, não me siga, veja como sou feliz longe de você.
(Isabel Ribeiro)
(Isabel Ribeiro)
Olha, você não precisa ir embora agora carregando todo esse rancor dentro de você. Deita aqui do meu lado, já que não somos capazes de nos perdoar, vamos sentar e relembrar as coisas boas que vivemos. Eu sei que está difícil, mas não está sendo fácil pra ninguém, não temos futuro mesmo, nunca tivemos e nosso maior erro foi insistir em algo que só iria nos danificar. Ei! Deixa essa roupa aí dentro! Ou deixa, ao menos, uma peça para que eu possa lembrar que um dia fomos felizes ao ponto de querermos estar juntos. Não vou te pedir que esqueça os vendavais que destruíram o nosso lar, mas quero que seja sábio o suficiente para deixar todas as mágoas aqui nessas quatro paredes. Vamos! Ponha tudo pra fora, diga tudo o que você calou durante todo esse tempo. Diga que nunca fui seu dengo, que todo o seu relento de paixão você deixava em uma mesa de bar. Não me olhe como se eu estivesse falando um absurdo, estou cansada de decodificar seus olhares e sempre esperar que a realidade deles esteja de acordo com minhas teorias. Não! Esse livro você não vai levar! Nós o compramos juntos em Amsterdã e é a única lembrança prestável que restou dessa viagem, além de nossos mimos e promessas de um amanhã promíscuo e surpreendente enquanto caminhávamos de mãos dadas às margens do Rio Amstel, foi tudo lindo, você lembra?
Ei, você já vai? Vai voltar? E o piano? Fica comigo ou com você? Por que você está parecendo mais lindo enquanto sai pela porta? Por que tenho a sensação de que ainda te amo? Por que não peço pra você ficar?
(Isabel Ribeiro)
Ele é provavelmente mais um daqueles caras com baixa
auto-estima que ouve músicas estranhas, passa noites lendo livros de auto-ajuda
e usa jeans num encontro à noite justo no restaurante mais chique da Cidade.
Interrompo meus pensamentos cheios de julgamentos preconceituosos e começo a
prestar a atenção em como suas mãos estão agitadas uma por cima da outra, ele mal consegue me olhar nos olhos. Solto
uma risada irônica e me pergunto em pensamento “O que estou fazendo aqui?”. O
garçom chega para anotar o pedido e me tira da minha vibe louca, olho para James
dou um sorriso e volto ao garçom pedindo que o mesmo anote o pedido. Peço para
a Entrada um “Pissaladière”, e como Prato Principal “Ensopado de vitela à provençal”,
James me olha com uma cara de surpreso, mas não faz nenhum comentário, apenas
pega o cardápio de uma maneira desajeitada e começa a olhá-lo atenciosamente,
mas ao mostrar seu pedido para o garçom, ele deixa o cardápio cair fazendo com
que algumas folhas acabem arrebentando (lá vamos nós acrescentar folhas na
conta), ele me olha e dá um sorriso sem graça, eu não retribuo. Ele diz ao
garçom:
- Quero a mesma coisa que ela. – Que cara mais sem opinião própria!
Ele começa a puxar uma conversa constrangedora comigo sobre como nos conhecemos na festa de formatura do meu primo e da irmã dele, essa conversa é um tanto constrangedora porque eu não consigo me lembrar da metade do que fiz e acabo dizendo apenas “aham” e “uhum” e ele percebe que não tenho o mínimo interesse nisso tudo. Então ele aproxima sua cadeira, segura em minhas mãos (sinto um frio imenso na barriga) e me olha com uma auto-confiança que nunca imaginei que fosse capaz de existir naquela pessoa e diz:
- Desculpe, mas não quero lhe causar fadiga. Podemos ir embora se você quiser. Mas digo com total certeza que você irá se arrepender de não se permitir conhecer o cara mais incrível que já cruzou o seu caminho. – Ele solta o sorriso mais espontâneo que já vi.
Fico meio sem graça e só digo:
- Não quero ir embora. – E engraçado que não queria mesmo.
A conversa começa a fluir repentinamente, começamos a conversar sobre nossos traumas infantis, sobre nossos micos, sobre como o Rod Stewart é legal e sobre como o nível dos filmes americanos caiu. Temos mais coisas em comum do que imaginamos. Por um momento não me sinto em nenhum outro lugar, se não, em casa. Começo a prestar a atenção em como ele é detalhista e conta suas experiências com muito entusiasmo e admiração, ele é atencioso e se preocupa em me fazer mergulhar pela história da vida dele. Vejo seu olhar vindo de encontro ao meu e um sorriso tímido surge em ambos os lábios. “Putz! Ele é encantador!” permito-me pensar. Digo que preciso ir retocar a maquiagem e levanto um pouco tímida e tenho quase certeza que ele olhou para a minha bunda achatada nesse vestido apertado. Logo que olho no espelho, vejo o meu semblante de satisfação, como nunca tinha visto antes e percebo que algo está dando certo, pela primeira vez. Retorno à mesa e ele me recebe com seu sorriso esplendoroso e diz que quase pensou que eu estava tão cansada dele que iria abandoná-lo sozinho no restaurante, eu ri, imaginando ser uma coisa impossível. Eu jamais faria isso, não com ele.
Percebemos que a hora havia passado mais rápido do que imaginávamos e decidimos ir embora. Fomos caminhando lentamente pelos zigue-zagues do calçadão até o carro dele. De repente notei que seus braços me envolviam meio sem jeito, senti o calor aconchegante de seu corpo e era impossível renunciar a essa entrega. Eu não sabia o que iria rolar daquele momento em diante, eu não sabia onde eu iria acordar na manhã seguinte, mas eu não ia renunciar a nada. Ele não era como os caras anteriores que me abraçavam para me empurrar depois. Ele queria me proteger, me aquecer, me cuidar. Ele era diferente, não por ser o menos bonito ou o mais desajeitado, mas por ser inexplicavelmente perfeito.
- Quero a mesma coisa que ela. – Que cara mais sem opinião própria!
Ele começa a puxar uma conversa constrangedora comigo sobre como nos conhecemos na festa de formatura do meu primo e da irmã dele, essa conversa é um tanto constrangedora porque eu não consigo me lembrar da metade do que fiz e acabo dizendo apenas “aham” e “uhum” e ele percebe que não tenho o mínimo interesse nisso tudo. Então ele aproxima sua cadeira, segura em minhas mãos (sinto um frio imenso na barriga) e me olha com uma auto-confiança que nunca imaginei que fosse capaz de existir naquela pessoa e diz:
- Desculpe, mas não quero lhe causar fadiga. Podemos ir embora se você quiser. Mas digo com total certeza que você irá se arrepender de não se permitir conhecer o cara mais incrível que já cruzou o seu caminho. – Ele solta o sorriso mais espontâneo que já vi.
Fico meio sem graça e só digo:
- Não quero ir embora. – E engraçado que não queria mesmo.
A conversa começa a fluir repentinamente, começamos a conversar sobre nossos traumas infantis, sobre nossos micos, sobre como o Rod Stewart é legal e sobre como o nível dos filmes americanos caiu. Temos mais coisas em comum do que imaginamos. Por um momento não me sinto em nenhum outro lugar, se não, em casa. Começo a prestar a atenção em como ele é detalhista e conta suas experiências com muito entusiasmo e admiração, ele é atencioso e se preocupa em me fazer mergulhar pela história da vida dele. Vejo seu olhar vindo de encontro ao meu e um sorriso tímido surge em ambos os lábios. “Putz! Ele é encantador!” permito-me pensar. Digo que preciso ir retocar a maquiagem e levanto um pouco tímida e tenho quase certeza que ele olhou para a minha bunda achatada nesse vestido apertado. Logo que olho no espelho, vejo o meu semblante de satisfação, como nunca tinha visto antes e percebo que algo está dando certo, pela primeira vez. Retorno à mesa e ele me recebe com seu sorriso esplendoroso e diz que quase pensou que eu estava tão cansada dele que iria abandoná-lo sozinho no restaurante, eu ri, imaginando ser uma coisa impossível. Eu jamais faria isso, não com ele.
Percebemos que a hora havia passado mais rápido do que imaginávamos e decidimos ir embora. Fomos caminhando lentamente pelos zigue-zagues do calçadão até o carro dele. De repente notei que seus braços me envolviam meio sem jeito, senti o calor aconchegante de seu corpo e era impossível renunciar a essa entrega. Eu não sabia o que iria rolar daquele momento em diante, eu não sabia onde eu iria acordar na manhã seguinte, mas eu não ia renunciar a nada. Ele não era como os caras anteriores que me abraçavam para me empurrar depois. Ele queria me proteger, me aquecer, me cuidar. Ele era diferente, não por ser o menos bonito ou o mais desajeitado, mas por ser inexplicavelmente perfeito.
(Isabel Ribeiro)
Lembra quando eu disse que não tinha
pressa? Eu menti. Tenho pressa sim. Na verdade, tenho urgência. Você não tem
noção de como penso em milhares de coisas que poderíamos estar fazendo se não
fosse a sua procrastinação tomando todo o tempo que temos. E se amanhã for
tarde demais? Faço essa pergunta todo tempo. Tenho tanto medo de algo mudar da
noite pro dia e de repente as nossas brincadeiras não nos encantarem mais. Se
nós temos cada dia mais certeza de que fomos feito um pro outro, por que então
deixar pra depois? Se cada vez que você que você me abraça, você não quer me
deixar ir embora, então por que não fica pra sempre?
Não quero te apressar e nem parecer ansiosa demais, mas a gente se cuida tão
bem que já não vejo outro encaixe tão perfeito como o nosso. Não quero procurar
novamente aquilo que só encontrei em você. Você é tão danificado quanto eu e
nem suas inconstâncias me fazem te querer menos. Por que logo você? Eu te vi
quando ninguém mais viu e te quis quando você menos esperou. Não foi sorte, nem
acaso. Há um Deus que olha por nós e zela por nosso amorzinho que está
nascendo, tenho fé que Ele cuidará de nós, assim como quero cuidar de ti.
Vem, o dia está nascendo e temos tão pouco tempo. Se não houver um amanhã,
eu realmente não me importo.
(Isabel Ribeiro)
(Isabel Ribeiro)
Queria
entender o que passa pela sua cabeça quando eu falo “Eu gosto de você demais!”.
Imagino que um vulcão entre em erupção expelindo larvas por todas as partes e
queimando todos os seus neurônios, que, aparentemente, não servem para nada. Ou
que seu coração entre em um colapso nervoso que te impeça até de mover os olhos
gerando assim uma aparência fria e completamente broxante. Eu realmente não
consigo visualizar uma imagem que faça sentido quando se trata de você. Eu não
tô nem aí para seus traumas passados e todo o seu medo de se entregar, o que
importa é que eu estou aqui por você, não pelo George Clooney ou por qualquer
outro que seja. Toda a população MUNDIAL gostaria de ter a sorte grande que
você está tendo agora e você está aí fazendo charminho. E quando digo ‘sorte
grande’ não me refiro só aos meus belos seios e nem as minhas belas pernas que
podem pertencer a você, se você quiser, tem mais coisa aqui dentro pra você,
acredite. Já estamos cansados de saber que somos o metiolate um do outro,
ficamos rindo sozinhos quando passa aquele seriado de TV que é tão a nossa
cara, sentimos a saudade nua e crua quando somos obrigados a dar aquele tchau
que parece um adeus e quando cantarolamos músicas que são declarações
disfarçadas. Infelizmente nosso romance está passando de fase e a gente ficando
pra trás, agora não precisamos de palavras ou de gestos muito exacerbados, é só
você segurar em minha mão que toda carga magnética entre nós gera uma luz
preciosa que se reflete em nossos olhos fazendo transparecer tudo que temos
escondido um do outro. Eu jamais pediria algo que você não pudesse me dar. Eu
sei que você está pronto. É a nossa hora, nosso momento. Apenas diga que me
gosta e me quer também.
(Isabel Ribeiro)
(Isabel Ribeiro)
Seu maior erro foi se afastar quando queria ficar perto.
Depois de tantos anos de redenção, em um simples momento jogou pro alto algo que
dependia incondicionalmente. Sinto dizer,mas fui obrigada a também me afastar e
aprendi o lado bom da vida pós-você. Você me deu a oportunidade de conhecer
todas as flores do jardim, umas mais perfumadas que outras e com aromas bem
mais suaves que o seu. Desculpe a arrogância, mas você precisa entender que não
pertenço mais a você.
(Isabel Ribeiro)
Superamos desafios, mas não entendemos o quão além precisamos
ir para fazer realmente dar certo. Vivemos mentiras e nostalgias e estamos
empurrando com a barriga por não queremos nos abandonar. Estamos perdidos entre
nós e não queremos enxergar que talvez a melhor solução é seguir em frente já
que não estamos dispostos a deixar tudo pra trás e viver em função um do outro.
É o tempo errado, a razão errada e talvez posições erradas também. Calei-me durante muito tempo e o meu silêncio falou por nós, amei por dois quando me vi sozinha e sem direção. Chegou a hora de tomarmos um café amargo e analisarmos a nossa condição de vida, repensarmos que talvez a hora do fim já tenha passado e nós estamos apenas tentando viver algo que já morreu.
É o tempo errado, a razão errada e talvez posições erradas também. Calei-me durante muito tempo e o meu silêncio falou por nós, amei por dois quando me vi sozinha e sem direção. Chegou a hora de tomarmos um café amargo e analisarmos a nossa condição de vida, repensarmos que talvez a hora do fim já tenha passado e nós estamos apenas tentando viver algo que já morreu.
(Isabel Ribeiro)
As águas de outubro te levaram para longe, mudaram seu ciclo
e restou apenas a saudade. Deixaram os cheiros de lavanda e o lado vazio da
cama juntos com seus cds preferidos de rock para eu recordar dos momentos em
que admirava cada detalhe de sua boca e de suas mãos ao cantar nossas canções
especiais. Se eu soubesse que o amanhã seria uma eterna espera teria evitado a
despedida, teria enganado a dor e ainda te teria
aqui comigo mesmo que a mudança de todo o nosso ciclo estivesse em minhas mãos
e fosse fatal.
"Sinceramente ainda acredito em um destino forte e implacável e tudo que nós temos pra viver é muito mais do que sonhamos."
PS: Te reenvio essa música, aonde quer que esteja para você lembrar que antes de partir, você já escreveu a nossa história. Te amo!
"Sinceramente ainda acredito em um destino forte e implacável e tudo que nós temos pra viver é muito mais do que sonhamos."
PS: Te reenvio essa música, aonde quer que esteja para você lembrar que antes de partir, você já escreveu a nossa história. Te amo!
Caio Fernando disse em seu texto que alguma coisa dentro da gente sabe quando algo
termina, mas o que fazer quando essa coisa dentro da gente diz que não terminou? Os
sorrisos ainda permanecem bobos, aquela maldita ansiedade quando espero você ligar
continua normal e a esperança sabe bem que sua hora de morrer está longe. Apesar das
circunstâncias e das opiniões negativas, meu coração ainda pulsa apenas por você, meu
pensamento ainda voa procurando encontrar o seu e a imensidão do mar parece cada vez
maior quando penso que essas águas nos separam. Não entendo. Talvez Caio tenha errado,
talvez essa coisa dentro da gente não saiba quando é o ponto final.
(Isabel Ribeiro)
Chegará um momento em que não nos olharemos com ternura. Seu corpo estará ao meu lado, mas sua mente estará procurando algum problema rotineiro para se preocupar. Você se vestirá rapidamente, me dará um beijo na testa e sairá com pressa dizendo que precisa levar o carro para a oficina e me deixará sozinha, nua e com muitas coisas para organizar. Teremos um ao outro sem desejo, mas apenas por costume e isso nos fadigará demasiadamente. Colheremos frutos esmagados pelos nossos comportamentos desumanos, viveremos dias desabrigados por não termos aprendido a caminhar na chuva e seremos para sempre infelizes por não termos nos amado enquanto ainda era tempo.
(Isabel Ribeiro)
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