Bom, devo confessar que isso não era bem o que eu esperava.
É claro que eu nunca achei que ele fosse fazer uma grande recepção com flores,
smoking e serenata na frente de toda a galera, mas imaginei que fosse me olhar,
ao menos, umas 3 vezes durante essa festa. A primeira para conferir se alguma
coisa havia mudado nesses meses que não temos nos visto, a segunda para reparar
como meu batom novo combinou com meu bronzeado e a terceira para constatar a
sua burrice ao me trocar por seu clube do bolinha, festas, cervejas e vídeo
game.
Ele não me olha. Eu já deveria esperar. Seus amigos me
cercam. Aê, ele me olhou. Virou a cara. Não olhou mais. Eu bebo. Ele bebe. Nós
bebemos. Ele se aproxima. Eu finjo que não o vejo. Ele mexe no meu cabelo e dá um sorriso do tipo
“Só pra não dizer que não falei com você!”. Eu o seguro e digo “Adorei a blusa
nova!” e ele responde: “Como sabe que é nova?”.
Eu gostaria de poder dizer que tenho reparado as roupas que ele tem
usado nas fotos do facebook, mas só digo “Sei lá, tem cara de nova”. Ele ri, eu
retribuo. Ele enche meu copo e pergunta como anda a vida. Nunca vi um diálogo
com um estilo tão “Missão Impossível” como esse, o mais triste é que teve um
tempo que era tão mais fácil. Ele me conta de seus novos projetos para suas
trilhas pelo Rio de Janeiro e eu me queixo de como gostaria de ter uma vida
livre como a dele. O seu sobrenome deveria ser Liberdade e eu odeio isso.
Os clichês retornam, no repertório aquela música conhecida e apenas a certeza de que realmente é hora de seguir. Não quero que todos os encontros de amigos sejam uma equação matemática de “eu + ele = o que acontecerá se...?“ Reencontro é isso, encerrar as possibilidades, perceber que as coisas não mudam e que toda a distância só serve para mostrar o quanto você é capaz de viver bem sem alguém.
Os clichês retornam, no repertório aquela música conhecida e apenas a certeza de que realmente é hora de seguir. Não quero que todos os encontros de amigos sejam uma equação matemática de “eu + ele = o que acontecerá se...?“ Reencontro é isso, encerrar as possibilidades, perceber que as coisas não mudam e que toda a distância só serve para mostrar o quanto você é capaz de viver bem sem alguém.
(Isabel Ribeiro)

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