segunda-feira, 18 de março de 2013



Você ainda sente saudades de mim?
Ele disparou essa pergunta com todo o desespero que sufocou durante esse tempo em que tentou me manter longe ignorando tudo o que estava em suas mãos. É interessante ver os seus olhos lacrimejarem justamente quando isso já não me afeta mais.
– Não sei. – Eu respondo. ­– Realmente não sei.
A sensação da chegada de um novo outono faz com que a busca pela mudança surja dentro de mim. A nova estação é o momento da renovação. É chegado o momento de ver todas as folhas secas caírem, todas aquelas folhas em que o verde da esperança morreu, todas as folhas que simbolizam a alma de muitos, almas que vagam pela força do vento, mas que perderam a cor e podem se despedaçar facilmente apenas com um toque.
Durante muito tempo eu me senti como uma dessas folhas, mas hoje ao me deparar com a sua pergunta, eu senti que algo havia mudado. Inacreditavelmente eu não conseguia dizer que estava com saudades. Eu não conseguia, se quer, acreditar que essas palavras soariam como verdade, ainda que eu confirmasse por educação. Percebi que uma parte de mim estava morta e essa parte era você.
Seus olhos estão diferentes também. Talvez o outono também esteja te afetando e isso é bom, mas ainda faltam seus lábios e seu coração. O mundo não é só festa, pequeno e está na hora de você refletir em tudo que deixou passar e torcer para que a vida te dê uma segunda chance. O verde do mar é lindo, o azul do céu é um convite para voar, a música romântica não dá sono e o convite do amor é pra gente aceitar.
Eu realmente não sei o que restou, mas sei o que se perdeu.

(Isabel Ribeiro) 

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