domingo, 10 de março de 2013



Hoje matei a curiosidade que tinha a respeito de um filme chamado “Brilho eterno de uma mente sem lembranças”. É um ótimo filme, psicodélico e complicado assim como nós. A atuação de Jim Carrey está perfeita e a Kate está linda com seus cabelos coloridos e seu sorriso estonteante. São exatamente 3:30 da manhã e eu estou com uma vontade absurda de te ligar e dizer que hoje pela manhã não lembrarei mais de você, exatamente como Joe não se lembrou de Clementine. Gostaria que isso fosse possível, esse lance todo de te apagar de minha mente e pular essa parte de abstinência que me faz escrever textos que nunca enviarei para você. Hoje faz um ano que conversamos pela primeira vez. Uau! Passou tão rápido que tenho a sensação de que nada mudou. Não saímos do primeiro passo, não evoluímos, não nos tornamos nada que fosse relevante. E infelizmente isso não é apenas uma sensação.
Estou com saudades de você. E toda essa ideia de que estou te perdendo está me transformando em um zumbi. Não que um dia eu tenha te tido para te perder, nós nunca nos tivemos, mas eu sempre idealizei que um dia nós nos teríamos e seríamos felizes e ter que abandonar toda essa ideologia me faz infeliz, me deixa transtornada. Você não percebe que sou alguém melhor com você?
Eu gostaria de ter dinheiro agora para abandonar tudo e viajar. Eu iria pra Itália. Você sabe que sou apaixonada pela Itália, acho que já te falei isso. Eu visitaria todos os museus, todos os pontos turísticos e seria feliz por lá. Aprenderia a falar italiano, aprenderia a gostar de pizza e não iria querer dividir com você um momento tão mágico assim. Eu também gostaria de conhecer a neve, mas isso me faria querer você perto de mim. Esse negócio de frio deixa a gente solitária e eu não quero mais sentir saudades de você.
Um dia desses, enquanto caminhava, fechei os olhos por uns instantes e pude sentir como se suas mãos estivessem tocando as minhas. E eu sorri, pois eu sempre odiei esse encontro de mãos até experimentar as suas. São esses pequenos momentos que te fazem especial, e como você um dia me disse: “Embora que de uma forma dadaísta, a gente sempre se encaixou.” Não é nada muito importante, mas eu só queria dividir isso com você porque mesmo que a gente não esteja se falando com frequência, eu ainda não perdi essa mania boba.
Estou ficando com sono agora e lembrando com nostalgia de quando dormíamos juntos e eu fazia cafuné em seus cabelos enquanto te observava dormir docemente. Você parecia um anjo com a cara do Bart Simpsons e ainda era a coisa mais bonita que eu já havia visto. Agora fecharei os olhos e tentarei não lembrar do seu abraço, do seu cheiro e de como tudo tomou um rumo diferente. Estou com medo. Preciso de você aqui. Mais uma vez. Ou talvez, nunca mais.

Durma bem, meu anjo. Te acolho essa noite em meus pensamentos.
4:03 da manhã. Até quando essa falta vai durar?

(Isabel Ribeiro)

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