terça-feira, 26 de junho de 2012


Quer saber? Não venha mais. Sério! Quando passar pela porta sinta-se livre. Perceba quantos erros você está deixando para trás, veja como você se sentirá melhor ao libertar um coração ferido. Não me volte com flores ou com palavras bonitas, faz tempo que essas coisas deixaram de me encantar e você nem percebeu. Não me ligue mais no meio da noite dizendo que tem saudades, já percebemos que fizemos as nossas escolhas, por mais árduas que elas sejam. Vamos abandonar essas correntes e aproveitar a ventania lá fora. Deixe meu vestido voar, deixe meu cabelo aumentar minha beleza, não me siga, veja como sou feliz longe de você.

(Isabel Ribeiro)


Olha, você não precisa ir embora agora carregando todo esse rancor dentro de você. Deita aqui do meu lado, já que não somos capazes de nos perdoar, vamos sentar e relembrar as coisas boas que vivemos. Eu sei que está difícil, mas não está sendo fácil pra ninguém, não temos futuro mesmo, nunca tivemos e nosso maior erro foi insistir em algo que só iria nos danificar. Ei! Deixa essa roupa aí dentro! Ou deixa, ao menos, uma peça para que eu possa lembrar que um dia fomos felizes ao ponto de querermos estar juntos. Não vou te pedir que esqueça os vendavais que destruíram o nosso lar, mas quero que seja sábio o suficiente para deixar todas as mágoas aqui nessas quatro paredes. Vamos! Ponha tudo pra fora, diga tudo o que você calou durante todo esse tempo. Diga que nunca fui seu dengo, que todo o seu relento de paixão você deixava em uma mesa de bar. Não me olhe como se eu estivesse falando um absurdo, estou cansada de decodificar seus olhares e sempre esperar que a realidade deles esteja de acordo com minhas teorias. Não! Esse livro você não vai levar! Nós o compramos juntos em Amsterdã e é a única lembrança prestável que restou dessa viagem, além de nossos mimos e promessas de um amanhã promíscuo e surpreendente enquanto caminhávamos de mãos dadas às margens do Rio Amstel, foi tudo lindo, você lembra?
Ei, você já vai? Vai voltar? E o piano? Fica comigo ou com você? Por que você está parecendo mais lindo enquanto sai pela porta? Por que tenho a sensação de que ainda te amo? Por que não peço pra você ficar? 



(Isabel Ribeiro)

Ele é provavelmente mais um daqueles caras com baixa auto-estima que ouve músicas estranhas, passa noites lendo livros de auto-ajuda e usa jeans num encontro à noite justo no restaurante mais chique da Cidade. Interrompo meus pensamentos cheios de julgamentos preconceituosos e começo a prestar a atenção em como suas mãos estão agitadas uma por cima da outra,  ele mal consegue me olhar nos olhos. Solto uma risada irônica e me pergunto em pensamento “O que estou fazendo aqui?”. O garçom chega para anotar o pedido e me tira da minha vibe louca, olho para James dou um sorriso e volto ao garçom pedindo que o mesmo anote o pedido. Peço para a Entrada um “Pissaladière”, e como Prato Principal “Ensopado de vitela à provençal”, James me olha com uma cara de surpreso, mas não faz nenhum comentário, apenas pega o cardápio de uma maneira desajeitada e começa a olhá-lo atenciosamente, mas ao mostrar seu pedido para o garçom, ele deixa o cardápio cair fazendo com que algumas folhas acabem arrebentando (lá vamos nós acrescentar folhas na conta), ele me olha e dá um sorriso sem graça, eu não retribuo. Ele diz ao garçom:
- Quero a mesma coisa que ela. – Que cara mais sem opinião própria!

Ele começa a puxar uma conversa constrangedora comigo sobre como nos conhecemos na festa de formatura do meu primo e da irmã dele, essa conversa é um tanto constrangedora porque eu não consigo me lembrar da metade do que fiz e acabo dizendo apenas “aham” e “uhum” e ele percebe que não tenho o mínimo interesse nisso tudo. Então ele aproxima sua cadeira, segura em minhas mãos (sinto um frio imenso na barriga) e me olha com uma auto-confiança que nunca imaginei que fosse capaz de existir naquela pessoa e diz:
- Desculpe, mas não quero lhe causar fadiga. Podemos ir embora se você quiser. Mas digo com total certeza que você irá se arrepender de não se permitir conhecer o cara mais incrível que já cruzou o seu caminho.  – Ele solta o sorriso mais espontâneo que já vi.
Fico meio sem graça e só digo:
- Não quero ir embora. – E engraçado que não queria mesmo.

A conversa começa a fluir repentinamente, começamos a conversar sobre nossos traumas infantis, sobre nossos micos, sobre como o Rod Stewart é legal e sobre como o nível dos filmes americanos caiu. Temos mais coisas em comum do que imaginamos. Por um momento não me sinto em nenhum outro lugar, se não, em casa. Começo a prestar a atenção em como ele é detalhista e conta suas experiências com muito entusiasmo e admiração, ele é atencioso e se preocupa em me fazer mergulhar pela história da vida dele. Vejo seu olhar vindo de encontro ao meu e um sorriso tímido surge em ambos os lábios. “Putz! Ele é encantador!” permito-me pensar. Digo que preciso ir retocar a maquiagem e levanto um pouco tímida e tenho quase certeza que ele olhou para a minha bunda achatada nesse vestido apertado. Logo que olho no espelho,  vejo o meu semblante de satisfação, como nunca tinha visto antes e percebo que algo está dando certo, pela primeira vez. Retorno à mesa e ele me recebe com seu sorriso esplendoroso e diz que quase pensou que eu estava tão cansada dele que iria abandoná-lo sozinho no restaurante, eu ri, imaginando ser uma coisa impossível. Eu jamais faria isso, não com ele.

Percebemos que a hora havia passado mais rápido do que imaginávamos e decidimos ir embora. Fomos caminhando lentamente pelos zigue-zagues do calçadão até o carro dele.  De repente notei que seus braços me envolviam meio sem jeito, senti o calor aconchegante de seu corpo e era impossível renunciar a essa entrega. Eu não sabia o que iria rolar daquele momento em diante, eu não sabia onde eu iria acordar na manhã seguinte, mas eu não ia renunciar a nada. Ele não era como os caras anteriores que me abraçavam para me empurrar depois. Ele queria me proteger, me aquecer, me cuidar. Ele era diferente, não por ser o menos bonito ou o mais desajeitado, mas por ser inexplicavelmente perfeito.

(Isabel Ribeiro)





Lembra quando eu disse que não tinha pressa? Eu menti. Tenho pressa sim. Na verdade, tenho urgência. Você não tem noção de como penso em milhares de coisas que poderíamos estar fazendo se não fosse a sua procrastinação tomando todo o tempo que temos. E se amanhã for tarde demais? Faço essa pergunta todo tempo. Tenho tanto medo de algo mudar da noite pro dia e de repente as nossas brincadeiras não nos encantarem mais. Se nós temos cada dia mais certeza de que fomos feito um pro outro, por que então deixar pra depois? Se cada vez que você que você me abraça, você não quer me deixar ir embora, então por que não fica pra sempre?

Não quero te apressar e nem parecer ansiosa demais, mas a gente se cuida tão bem que já não vejo outro encaixe tão perfeito como o nosso. Não quero procurar novamente aquilo que só encontrei em você. Você é tão danificado quanto eu e nem suas inconstâncias me fazem te querer menos. Por que logo você? Eu te vi quando ninguém mais viu e te quis quando você menos esperou. Não foi sorte, nem acaso. Há um Deus que olha por nós e zela por nosso amorzinho que está nascendo, tenho fé que Ele cuidará de nós, assim como quero cuidar de ti. 

Vem, o dia está nascendo e temos tão pouco tempo. Se não houver um amanhã, eu realmente não me importo.

(Isabel Ribeiro)








Queria entender o que passa pela sua cabeça quando eu falo “Eu gosto de você demais!”. Imagino que um vulcão entre em erupção expelindo larvas por todas as partes e queimando todos os seus neurônios, que, aparentemente, não servem para nada. Ou que seu coração entre em um colapso nervoso que te impeça até de mover os olhos gerando assim uma aparência fria e completamente broxante. Eu realmente não consigo visualizar uma imagem que faça sentido quando se trata de você. Eu não tô nem aí para seus traumas passados e todo o seu medo de se entregar, o que importa é que eu estou aqui por você, não pelo George Clooney ou por qualquer outro que seja. Toda a população MUNDIAL gostaria de ter a sorte grande que você está tendo agora e você está aí fazendo charminho. E quando digo ‘sorte grande’ não me refiro só aos meus belos seios e nem as minhas belas pernas que podem pertencer a você, se você quiser, tem mais coisa aqui dentro pra você, acredite. Já estamos cansados de saber que somos o metiolate um do outro, ficamos rindo sozinhos quando passa aquele seriado de TV que é tão a nossa cara, sentimos a saudade nua e crua quando somos obrigados a dar aquele tchau que parece um adeus e quando cantarolamos músicas que são declarações disfarçadas. Infelizmente nosso romance está passando de fase e a gente ficando pra trás, agora não precisamos de palavras ou de gestos muito exacerbados, é só você segurar em minha mão que toda carga magnética entre nós gera uma luz preciosa que se reflete em nossos olhos fazendo transparecer tudo que temos escondido um do outro. Eu jamais pediria algo que você não pudesse me dar. Eu sei que você está pronto. É a nossa hora, nosso momento. Apenas diga que me gosta e me quer também.

(Isabel Ribeiro)


Seu maior erro foi se afastar quando queria ficar perto. Depois de tantos anos de redenção, em um simples momento jogou pro alto algo que dependia incondicionalmente. Sinto dizer,mas fui obrigada a também me afastar e aprendi o lado bom da vida pós-você. Você me deu a oportunidade de conhecer todas as flores do jardim, umas mais perfumadas que outras e com aromas bem mais suaves que o seu. Desculpe a arrogância, mas você precisa entender que não pertenço mais a você.

(Isabel Ribeiro)


Superamos desafios, mas não entendemos o quão além precisamos ir para fazer realmente dar certo. Vivemos mentiras e nostalgias e estamos empurrando com a barriga por não queremos nos abandonar. Estamos perdidos entre nós e não queremos enxergar que talvez a melhor solução é seguir em frente já que não estamos dispostos a deixar tudo pra trás e viver em função um do outro. 
É o tempo errado, a razão errada e talvez posições erradas também. Calei-me durante muito tempo e o meu silêncio falou por nós, amei por dois quando me vi sozinha e sem direção. Chegou a hora de tomarmos um café amargo e analisarmos a nossa condição de vida, repensarmos que talvez a hora do fim já tenha passado e nós estamos apenas tentando viver algo que já morreu.

(Isabel Ribeiro)


E nesse sorriso tão belo me encanto, te canto, te espero. Transformo em luz toda a sua poesia e faço de mim o seu lar. Trago meu coração ferido para você cuidar, pois ele é todo, imensamente, exclusivamente, seu. 

(Isabel Ribeiro)


As águas de outubro te levaram para longe, mudaram seu ciclo e restou apenas a saudade. Deixaram os cheiros de lavanda e o lado vazio da cama juntos com seus cds preferidos de rock para eu recordar dos momentos em que admirava cada detalhe de sua boca e de suas mãos ao cantar nossas canções especiais. Se eu soubesse que o amanhã seria uma eterna espera teria evitado a despedida, teria enganado a dor e ainda te teria aqui comigo mesmo que a mudança de todo o nosso ciclo estivesse em minhas mãos e fosse fatal.
"Sinceramente ainda acredito em um destino forte e implacável e tudo que nós temos pra viver é muito mais do que sonhamos."

PS: Te reenvio essa música, aonde quer que esteja para você lembrar que antes de partir, você já escreveu a nossa história. Te amo!

Caio Fernando disse em seu texto que alguma coisa dentro da gente sabe quando algo 
termina, mas o que fazer quando essa coisa dentro da gente diz que não terminou? Os 
sorrisos ainda permanecem bobos, aquela maldita ansiedade quando espero você ligar 
continua normal e a esperança sabe bem que sua hora de morrer está longe. Apesar das 
circunstâncias e das opiniões negativas, meu coração ainda pulsa apenas por você, meu 
pensamento ainda voa procurando encontrar o seu e a imensidão do mar parece cada vez 
maior quando penso que essas águas nos separam. Não entendo. Talvez Caio tenha errado, 
talvez essa coisa dentro da gente não saiba quando é o ponto final.

(Isabel Ribeiro)

Chegará um momento em que não nos olharemos com ternura. Seu corpo estará ao meu lado, mas sua mente estará procurando algum problema rotineiro para se preocupar. Você se vestirá rapidamente, me dará um beijo na testa e sairá com pressa dizendo que precisa levar o carro para a oficina e me deixará sozinha, nua e com muitas coisas para organizar. Teremos um ao outro sem desejo, mas apenas por costume e isso nos fadigará demasiadamente. Colheremos frutos esmagados pelos nossos comportamentos desumanos, viveremos dias desabrigados por não termos aprendido a caminhar na chuva e seremos para sempre infelizes por não termos nos amado enquanto ainda era tempo.

(Isabel Ribeiro)