terça-feira, 26 de junho de 2012
Olha, você não precisa ir embora agora carregando todo esse rancor dentro de você. Deita aqui do meu lado, já que não somos capazes de nos perdoar, vamos sentar e relembrar as coisas boas que vivemos. Eu sei que está difícil, mas não está sendo fácil pra ninguém, não temos futuro mesmo, nunca tivemos e nosso maior erro foi insistir em algo que só iria nos danificar. Ei! Deixa essa roupa aí dentro! Ou deixa, ao menos, uma peça para que eu possa lembrar que um dia fomos felizes ao ponto de querermos estar juntos. Não vou te pedir que esqueça os vendavais que destruíram o nosso lar, mas quero que seja sábio o suficiente para deixar todas as mágoas aqui nessas quatro paredes. Vamos! Ponha tudo pra fora, diga tudo o que você calou durante todo esse tempo. Diga que nunca fui seu dengo, que todo o seu relento de paixão você deixava em uma mesa de bar. Não me olhe como se eu estivesse falando um absurdo, estou cansada de decodificar seus olhares e sempre esperar que a realidade deles esteja de acordo com minhas teorias. Não! Esse livro você não vai levar! Nós o compramos juntos em Amsterdã e é a única lembrança prestável que restou dessa viagem, além de nossos mimos e promessas de um amanhã promíscuo e surpreendente enquanto caminhávamos de mãos dadas às margens do Rio Amstel, foi tudo lindo, você lembra?
Ei, você já vai? Vai voltar? E o piano? Fica comigo ou com você? Por que você está parecendo mais lindo enquanto sai pela porta? Por que tenho a sensação de que ainda te amo? Por que não peço pra você ficar?
(Isabel Ribeiro)
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