terça-feira, 26 de junho de 2012


Chegará um momento em que não nos olharemos com ternura. Seu corpo estará ao meu lado, mas sua mente estará procurando algum problema rotineiro para se preocupar. Você se vestirá rapidamente, me dará um beijo na testa e sairá com pressa dizendo que precisa levar o carro para a oficina e me deixará sozinha, nua e com muitas coisas para organizar. Teremos um ao outro sem desejo, mas apenas por costume e isso nos fadigará demasiadamente. Colheremos frutos esmagados pelos nossos comportamentos desumanos, viveremos dias desabrigados por não termos aprendido a caminhar na chuva e seremos para sempre infelizes por não termos nos amado enquanto ainda era tempo.

(Isabel Ribeiro)

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