Não lembro, exatamente, quando ela se tornou a mulher mais
linda do mundo para mim. Talvez tenha sido no dia em que ficamos presos no
elevador do nosso prédio e ela me acalmou como se eu fosse um bebê enquanto eu
tentava respirar. Ou talvez tenha sido no dia em que o pai dela morreu e ela, desesperadamente,
correu para o meu apartamento e ficamos assistindo filmes, comendo pipoca por 48
horas e ainda dormimos de conchinha. Mas, tenho quase certeza, que foi no dia
em que ela me contou que estava namorando pela primeira vez, que eu percebi que
ela era a mulher mais linda do mundo.
Tudo bem que, nem em sonho, eu sou o cara certo para ela, mas e daí? Entre um encontro e outro, ela sempre procurará como requisito em um novo namorado o que só encontrou no melhor amigo. Como um bom individualista, eu nunca tive planos de formar uma família com uma esposa, dois filhos e um cachorro poodle que comerá os meus sapatos, mas isso começou a fazer sentido desde que percebi que, durante toda a minha vida, ela esteve envolvida em meus projetos. Nunca a vi exclusivamente como uma irmã, eu sempre percebi que ela tinha jeito para namorada. Talvez não minha, mas dos outros. Embora vê-la agora como sendo dos “outros” é uma ideia absurda e desesperadora para mim.
Não sei como explicar a ela que de um dia pro outro eu percebi que estou apaixonado e passei a noite inteira chorando só em imaginar o casamento dela com outro cara. Isso soaria como uma piada e só pioraria a minha situação. Eu também não posso pedir que ela namore comigo porque não tenho nada a oferecer além de um chocolate quente, um apartamento apertado e um bilhete único.
As pessoas sempre disseram que um dia a gente iria se casar. É incrível como os adultos possuem essa capacidade para ver o amor nascer entre duas crianças e saber que ele só se relevará 15 anos depois. Seria mais fácil se a gente não tivesse crescido junto. Eu poderia ser esse cara que ela está conhecendo agora. Eu a chamaria pra sair, ela adoraria meu jeito descolado, eu me apaixonaria pelo sorriso dela e viveríamos felizes para sempre. Por que ser tão complicado?
Meu telefone toca, é uma mensagem dela dizendo: “Estou em nosso restaurante favorito! Vem pra cá, já fiz o nosso pedido”.
Talvez esse seja o nosso último jantar como amigos, talvez seja o nosso último jantar como conhecidos, mas será o primeiro jantar em que a tratarei e a verei como a mulher mais linda do mundo. A minha mulher mais linda do mundo.
Tudo bem que, nem em sonho, eu sou o cara certo para ela, mas e daí? Entre um encontro e outro, ela sempre procurará como requisito em um novo namorado o que só encontrou no melhor amigo. Como um bom individualista, eu nunca tive planos de formar uma família com uma esposa, dois filhos e um cachorro poodle que comerá os meus sapatos, mas isso começou a fazer sentido desde que percebi que, durante toda a minha vida, ela esteve envolvida em meus projetos. Nunca a vi exclusivamente como uma irmã, eu sempre percebi que ela tinha jeito para namorada. Talvez não minha, mas dos outros. Embora vê-la agora como sendo dos “outros” é uma ideia absurda e desesperadora para mim.
Não sei como explicar a ela que de um dia pro outro eu percebi que estou apaixonado e passei a noite inteira chorando só em imaginar o casamento dela com outro cara. Isso soaria como uma piada e só pioraria a minha situação. Eu também não posso pedir que ela namore comigo porque não tenho nada a oferecer além de um chocolate quente, um apartamento apertado e um bilhete único.
As pessoas sempre disseram que um dia a gente iria se casar. É incrível como os adultos possuem essa capacidade para ver o amor nascer entre duas crianças e saber que ele só se relevará 15 anos depois. Seria mais fácil se a gente não tivesse crescido junto. Eu poderia ser esse cara que ela está conhecendo agora. Eu a chamaria pra sair, ela adoraria meu jeito descolado, eu me apaixonaria pelo sorriso dela e viveríamos felizes para sempre. Por que ser tão complicado?
Meu telefone toca, é uma mensagem dela dizendo: “Estou em nosso restaurante favorito! Vem pra cá, já fiz o nosso pedido”.
Talvez esse seja o nosso último jantar como amigos, talvez seja o nosso último jantar como conhecidos, mas será o primeiro jantar em que a tratarei e a verei como a mulher mais linda do mundo. A minha mulher mais linda do mundo.
(Isabel Ribeiro)

Nenhum comentário:
Postar um comentário