sábado, 24 de novembro de 2012


Eu não sei o que é amor, entende? Não é nada pessoal. Não é que eu não goste de sua companhia e nem do seu macarrão ao molho, o fato é que a ideia de uma relação afetiva me apavora.
Cresci em um lar em que os sorrisos nos rostos só existiam nas fotografias, aqueles raros momentos em que toda a família se reunia para tentar disfarçar o caos que vivíamos diariamente. Eu confesso que gostava, era a única oportunidade em que via meus pais se abraçando e vivendo como um casal. Durava pouco tempo, mas isso sempre renovava a minha esperança.
Tenho medo e você não entende isso. Se eu não atendo sua ligação, se eu não aceito seu convite para sair, se eu não durmo na sua casa e se eu não conheço sua família é por puro medo. Eu não sei como retribuir esse afeto, eu não tenho alguém para te apresentar que te conte minhas histórias engraçadas e diga a você que sou uma boa menina. Eu não tenho nem um coração para te oferecer. Francamente, você ficará melhor sem mim.
Você tem uma vida pela frente. Suas viagens, seus amigos, seu curso de arquitetura e todo o seu sonho de formar uma família feliz. Eu tenho meu bar, meu violão, minha voz, e não acredito em felicidade. Tudo o que posso te oferecer é uma noite e nada mais. Amanhã não estarei mais aqui e espero que você não me procure. Aprendi que é mais fácil assim, menos doloroso. E tudo aquilo que não me causa dor, eu valorizo.


(Isabel Ribeiro)

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